14 de abril de 2021

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BUSCANDO MAIOR CRESCIMENTO E NOVA IMAGEM PARA O BOLICHE

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Brasileiros têm dura tarefa no Pan

por Felipe Alencar, da redação do ESPN.com.br

É comum observar a imagem do boliche atrelada ao lazer. Enxergar a atividade como um esporte parece uma tarefa complicada para muitos. Não raro, o boliche ainda é tratado na mídia como uma brincadeira. Qual é a atividade preferida do personagem de desenho animado Fred Flinstone? O boliche. Outro conhecido personagem dos desenhos, Homer Simpson, também encontra na modalidade uma das suas diversões prediletas. Diante desse cenário, os jogadores de boliche do Brasil que disputarão os Jogos Pan-Americanos buscam, além de representar bem o país, obviamente, mudar a percepção de parte das pessoas a respeito da modalidade.

O brasileiro Márcio Vieira estará na sua quinta edição de Jogos Pan-Americanos. Aos 58 anos, ele não mediu esforços para ajudar no crescimento do boliche no Brasil. Estudioso do assunto, Márcio explica que o aspecto cultural está diretamente relacionado com a questão.

“Não há como negar pelo menos a surpresa do público ao perceber o boliche como esporte. No entanto, acho que isto se dá pelo aspecto cultural. Nos Estados Unidos, desde sempre foi um esporte e, possivelmente nos anos 50, o soccer lá deveria ser confundido com lazer”, compara o atleta.

A brasileira Marizete Scheer, também classificada para o Pan do México, afirma que não sente nenhum tipo de preconceito por ser uma jogadora de uma modalidade com pouca visibilidade no país, mas concorda que muitas pessoas encaram o boliche somente como lazer.

“Não é bem preconceito. A gente tenta passar que é um esporte praticado por muita gente, mas não são todos que levam como um esporte. Muitos ficam admirados que é um esporte. Às vezes, é difícil colocar na cabeça das pessoas”, reconhece Marizete.

O Pan do México pode representar uma boa oportunidade para alavancar a prática do boliche no Brasil. Marizete e Márcio compartilham a opinião de que o esporte não tem se desenvolvido por aqui.

“Não tenho percebido crescimento. É difícil aparecer um atleta novo. Oito anos atrás acredito que tinha um maior crescimento. Agora deu uma estagnada, não entram pessoas novas”, lamenta Marizete. “O crescimento é menor do que eu esperava após a medalha no Pan do Rio”, completa Márcio.

E os brasileiros sabem que terão uma tarefa árdua pela frente nos Jogos Pan-Americanos. Jogadores profissionais de muitos países estão confirmados na competição, sedentos por bons resultados. Por outro lado, isso comprova a maior visibilidade do esporte nesta edição mexicana dos Jogos.

“Com a presença dos profissionais norte-americanos, venezuelanos e colombianos, o nível sobe e dificulta. No pódio, teremos apenas dois lugares disponíveis, pois até o terceiro os Estados Unidos chegam. Venezuela, México, Colômbia e Canadá são países com quem disputaremos acirradamente, a cada arremesso”, projeta Márcio Vieira.

“As norte-americanas, as mexicanas, que atuam em casa, venezuelanas e colombianas são as nossas principais adversárias. O nível vai ser muito alto, com muita gente profissional. Os Estados Unidos estarão com a seleção principal, e o nível é superior ao nosso. Lá (nos EUA), disputam valendo grana. As delegações são fortes, mas vamos tentar”, finaliza Marizete.

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