WHITNEY FOSTER: O MELHOR EXEMPLO QUE O BOLICHE É UM ESPORTE DEMOCRÁTICO E INCLUSIVO!

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Updated: janeiro 22, 2013

 Um exemplo comovente de inclusão esportiva é o caso da atleta Whitney Foster.  Devido a uma limitação de nascença ela não pode esticar os braços ou pegar a bola com as mãos, mesmo assim adora jogar boliche e faz parte da equipe colegial de Louisville, no Kentucky, Estados Unidos.

Ao se aproximar de Whitney obviamente não se procura apertar a mão dela. É natural um receio inicial com a deficiência tão visível, logo percebe-se que ela não pode estender os braços ou pegar suas mãos. Por alguns segundos você fica na dúvida entre ser inadequado ou grosseiro. Mas, então, ela sorri de forma encantadora, vira um pouco de lado e oferece o antebraço direito para você e quebra o gelo que estava se formando.

Whitney, tem artrogripose, uma doença na qual a criança nasce com deformidades fixas nas articulações e os músculos fracos. A palavra é derivada de palavras gregas: arthro, articulação e gryposis, curvada.

No entanto, assisti-la no approach é como ver a poesia em movimento. Ela equilibra uma bola de quase 6 quilos (12 libras) na curva do seu braço direito, pressionado contra seus bíceps e antebraço frágeis. Então, ela dá alguns passos suaves antes de abaixar o corpo e girando um pouco, solta a bola de encontro à pista. Apesar dos seus saques serem mais lentos, eles são precisos, e muitas vezes girando em direção ao pino central, buscando o pocket de canhoto (pinos 1-2).

O esporte Boliche ajudou Whitney a quebrar preconceitos, ser aceita e ainda ser inspiração para outras pessoas. Ela disse que o boliche a ajudou, pela primeira vez em sua vida, sentir-se como apenas mais uma das meninas de sua turma.

Qualquer um que a vê imagina que ela não pode jogar boliche” disse o seu técnico Bob Hillerich. “Afinal, teoricamente, precisa-se de braço e mão para jogar boliche, mas ela superou isso de uma forma incrível.

Os pais de Whitney, Débora e Nathan, lembram da preocupação que tiveram quando o médico descreveu o ultrassom feito na 17.ª semana de gravidez. O doutor disse o bebê poderia não ter membros e nunca iria andar. Sugeriu que por serem um casal jovem seriam capazes de ter mais filhos, e que deveriam considerar um aborto. Porém não fizeram isso, mesmo preocupados com o futuro da filha.

Quando Whitney nasceu, seus pés estavam desajeitadamente posicionados perto de seus ombros e suas mãos estavam enroladas. Mas ela estava viva, e era linda e tinha dois braços e duas pernas, e estávamos confiantes que em encontrar o melhor caminho“, confidenciam os pais de Whitney.

Ela ainda teve problemas pulmonares, submeteu-se a tratamentos longos e moldes especiais, mas conseguiu endireitar os pés e deu seus primeiros passos logo após o seu primeiro aniversário.

No entanto, os médicos pouco puderam fazer pelos seus braços. Tentaram peças e talas para endireitá-los, mas nada ajudou. Whitney usou um capacete na sua infância, pois suas pernas eram trêmulas e não podia se sustentar sozinha por muito tempo.

Na escola primária, as outras crianças foram previsivelmente impiedosas. Riam de Whitney e a apelidaram de “braços de dinossauro“. Os pais contam que um dia ela chegou em casa chorando porque um colega a chamou de a garota mais feia do mundo.

Eu ouço comentários até de adultos“, diz Whitney. “Mas só penso em ignorá-los. Afinal se alguém chega e diz: “- O que há de errado com seus braços? “Eu complemento dizendo “- Bem, o que há de errado com o seu rosto? A saída é você meio que tentar tornar a situação divertida.

As tarefas diárias são um desafio para Whitney. Ela tem uso muito limitado de seus polegares e os dedos indicadores e não pode flexionar suas mãos. Muitas vezes ela coloca comida – como nuggets de frango – em seu antebraço e só então leva-os à boca.

Ela chegou a jogar futebol quando era mais jovem, mas não podia correr como as outras crianças. Então perguntou à sua mãe se poderia jogar basquete, e sua mãe segurou as lágrimas enquanto explicava que esse esporte não era uma boa opção para ela.

Então um dia, faz uns cinco anos, Débora e Nathan levaram Whitney e suas duas irmãs mais novas para um centro de boliche. Ela usou uma rampa na primeira vez que rolou uma bola de boliche. Foi divertido por um tempo, mas era uma trabalheira colocar e retirar a rampa de adaptação a cada lançamento.

Então, depois de algum tempo, decidi colocar a bola no meu braço e jogá-la diretamente na pista“, diz Whitney. “Foi muito difícil. Joguei a maioria das bolas na canaleta. Ainda assim, sabia que era apenas o começo e logo me senti normal.

Então Whitney se inscreveu para participar da equipe do colégio como novata, mas desistiu na última hora por medo de não ser aceita. No ano seguinte, ela reuniu mais coragem para se juntar à equipe.

O início foi desconfortável, principalmente porque suas companheiras estavam hesitantes. Como deveriam agir depois de um bom lançamento e fazer o tradicional cumprimento de bater as mãos? Ou deveriam tocar no cotovelo dela? Deveriam ajudá-la no lançamento?

Hillerich, então, disse a suas jogadoras para pegar bola quando fosse a vez de Whitney e colocá-la em seu braço. Esse simples gesto criou um vínculo entre todos da equipe. Ela percebeu que suas companheiras se importavam, e elas, por sua vez, perceberam que Whitney era igual a elas.

Foi muito legal que eles não me julgar e que me fez sentir como uma parte da equipe“, declarou ela. “Elas me fizeram querer estar lá.

Sua forma confiante ajudou a lançar luz sobre a sua condição e a inspirar outras pessoas que enfrentam obstáculos semelhantes. Ela participa de um clube de inclusão para deficientes manuais que se reúne uma vez por semana, e ainda dá  assessoria no departamento de uma escola de educação especial.

Em um torneio no início desta temporada, Whitney começou com cinco strikes consecutivos e fechou a linha com 203 pontos. Ao final, as jogadoras de ambas as equipes estavam chorando, surpresas e inspiradas por seu fantástico esforço. Na maioria das vezes, suas pontuações ficam em torno dos 100 pontos.

Agora esses momentos no boliche são normais e simples, ao ponto de ninguém perceber as limitações dela. E isso, em sua essência, é tudo o que Whitney sempre quis.






 


(original publicado no
Courier Journal)

Comentário

  1. Antonio Luiz Cruz Martins

    25 de janeiro de 2013 at 06:28

    Desejo a Whitney um excelente futuro e sempre realize tudo o que desejar.
    Exemplo de vida, fé e superação.
    Pela frente, incontáveis e ótimas partidas de boliche, com muitos strikes.
    Muitas felicidades para a Whitney, todos colegas e amigos e para todas as famílias.

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